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 A Força d'um Amor (+18)

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Anne Margareth
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Idade : 32
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MensagemAssunto: A Força d'um Amor (+18)   Sab 10 Nov - 21:24

Titulo: A Força d'um Amor

Beta: Fox*

Autoria: Fan Joana Alvarenga & Walk Up Prod

Tomo I: Amor Imortal

Classificação: +18

Acabada: Não

Volumes: Sete Volumes

Aviso:
Esta Fanfic é imaginária que contém factos reais, qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência.
Contém cenas violentas, que podem ferir a Susceptibilidade cenas de sexo e de extrema violência. Linguagem imprópria.
Atenção: Isto é uma visão da Rebelde Way que foi transmitida pela Sic em 2009, não é uma discussão.
Preâmbulo

“Não me importo com o que possa vir a acontecer – agora sinto-me amada, sinto que te pertenço mesmo sem saber bem o que se passa. Estou longe, não quero voltar a e enfrentar-te. Não sei; quase morro só de pensar onde poderá estar o nosso filho… Ainda por cima agora, de que meu pai está convencido de que eu devo de estudar contigo. Não sei se dará certo, mas quero que saibas que vou fazer de tudo para sermos amigos. Isto, claro, se o teu pai nos deixar.



De repente, Lisa acorda. Ela não vê ninguém a seu lado, não vê o seu Pedro ali com ela.

São quatro horas da madrugada e Lisa toma consciência do seu estado. Está mais só do que nunca. Tudo a abandonou. Ela agarra a almofada e chora.




Capitulo 1 – Como tudo começou.

Na cidade de Lisboa, a mais antiga de Portugal estão localizados os pontos históricos mais importantes, com principal destaque para a baixa lisboeta, o famoso Terreiro do Paço, construído por obra do Marques do Pombal, logo após o terramoto de 1755. Ergue-se aí a maior sala de visitas de Lisboa, voltada para o Rio Tejo, local que fica localizado a Praça do Comércio, na qual está levantada a estátua de D. José I, rei de Portugal, imponente em cima do seu cavalo. Aí foi o local em que, durante séculos, se localizavam os palácios de vários reis do nosso país. No Arco do Triunfo, situado na zona Norte, na Praça do Comercio sobre a Rua Augusta, podemos ver as esculturas de Calmels, na parte superior, e as de Vítor Bastos, na parte inferior. As de Calmels representam a Glória coroando o génio e o valor, ao passo que as obras de Vítor Bastos representam Nuno Alves Pereira, Viriato, Vasco da Gama e o Marques do Pombal.

O texto inscrito na parte superior do arco, VIRTVTIBVS MAIORVM VT SIT OMNIBVS DOCVMENTO. PPD, e que significa “Às Virtudes dos Maiores, para que sirva a todos de ensinamento. Dedicado a expensas públicas.”, é de facto a maior herança dos descobrimentos.

Passando o arco, entra-se numa rua calcetada, a Rua Augusta, na qual estão localizadas as maiores zonas de comércio de Lisboa. São restaurantes com esplanadas na rua, são lojas de pronto-a-vestir, são centro comerciais, são até elevadores como o da Santa Justa, e inúmeros artistas de rua, que mostram as suas habilidades, bem como o museu de Designer, agora com múltiplos postits com ideias para melhorar Lisboa.

No topo da rua Augusta está a monumental Praça de D. Pedro IV, com a sua estátua equestre. Em frente, existe uma fonte que jorra água e, depois, o Teatro D. Maria II.

*

O Sol esconde-se no horizonte e a Lua aparece; os indicadores de que se aproxima o fim de mais um dia. Começa a habitual correria e ouve-se as persianas de ferro dos estabelecimentos comerciais a bater no chão, as luzes da cidade de Lisboa a acenderem, as pessoas que, atarefadamente, vão para os seus carros e se põem nas enormes filas de trânsito. Pelo ar ouvem-se as buzinas insistentes dos que se dirigem apressados, para o Teatro D. Maria II, para verem o espetáculo “Auto da Índia” de Gil Vicente.

Dentro da casa de espetáculos, ouviam-se aplausos e varias vozes a apoiar a atriz Sónia Valentino:

- Sónia! Sónia! – Gritavam os seus fãs entusiasmados por a verem representar tão bem.



****
Lisa e John chegam a casa e encontram-na com as luzes apagadas. É uma casa fria, escura, onde não há o habitual calor humano.

- Cheguei! – Anuncia John há entrada. A sua voz volta para ele de ricochete. – Não está ninguém, – afirma tristemente – mais uma vez!

Lisa entristece e sobe as escadas de mochila às costas, acedendo ao segundo andar de uma moradia amarelada situada no luxuoso bairro de Portugal, em Lisboa. John clica no interruptor e ilumina quase todo o primeiro andar da casa, antes de se sentar à mesa da Sala de Jantar. Leva a mão ao bolso e retira um aparelho, marca uma sequência de nove dígitos e ouve pelo emissor da engenhoca. Ninguém atende e John começa a ficar preocupado. Prime a tecla vermelha e pousa o instrumento em cima da mesa. Em seguida, pega numa pasta que tinha poisado à entrada e corre o fecho, retirando de lá um mecanismo e poisando-o em cima da mesa junto ao aparelho. Levanta o tampo do computador preto e liga-o, introduz-lhe uma pen que dava acesso à Internet.

Lisa abre a porta do seu quarto e poisa a mala junto à escrivaninha de madeira, põe o seu CD predileto na aparelhagem e entra na casa de banho com a intenção de tomar banho. Descalça os ténis e desaperta as calças de ganga, regressa ao quarto e abre a porta.

- Pai! – Chama da varanda interna do piso de cima. John para de trabalhar, levanta-se e dirige-se à base da varanda – Pode ligar o esquentador, por favor? – Pede – lhe a filha.

- Posso. – E afasta-se, indo cumprir a tarefa pedida.

- A mãe ainda não chegou, pai? – Pergunta a Lisa, muito preocupada. Eram já quase dez horas da noite e, como parecia estar a tornar-se costume nos últimos tempos, eles continuavam sem saber de Sónia.

- Não, mas não tarda em chegar! – Responde John, convencido de que sua esposa deve estar já a caminho de casa, não atendendo o telemóvel por estar a conduzir. – Vai tomar banho, e depois anda jantar. – Ordena à filha.

- Ok – acede Lisa.

Ela regressa ao quarto e atravessa-o, alcança a porta que dá acesso à casa de banho, roda a maçaneta e entra na divisão, vedando a entrada atrás de si. Na casa de banho luxuosa, Lisa despe as calças e tira a blusa de alças preta, abre a água quente tapando o fundo da banheira, deixando-a encher. Ela acaba de se despir, retira as cuecas e o sutiã.

Lisa Maria Valentino Scott, filha de John Scott e Sónia Valentino, pesa cinquenta quilos e tem um metro e sessenta, o cabelo curto e escalado. Sendo uma rebelde na fase da adolescência, é a maior imagem de marca da mãe, que a procura levar consigo para todo o lado.

John Scott é natural de Los Angeles, no estado de Califórnia, nos Estados Unidos da América, onde ainda mantém domicílio, embora viva em Portugal há algum tempo. Com sessenta e alguns anos, trabalha como realizador, embora pareça que o seu emprego lhe ocupa mais tempo do que normalmente deveria… A sua família ainda parece não se ter adaptado aos hábitos estranhos de John, que ninguém parece compreender. No entanto, ele é-lhe extremamente dedicado, tal como o é ao seu emprego; é audaz e corajoso e, acima de tudo, um bom chefe de família. John está casado há três anos, depois ter vivido doze em união de facto. John tem muitos ciúmes da Sónia devido aos seus fãs e em especial de Afonso Rossi, embora ele tente controlar bastante a esposa.

Sónia Valentino é uma mulher muito conceituada em Lisboa, não só pela profissão que desempenha, mas também pelo marido que tem. Com quarenta e cinco anos, acha Scott um tolo: já não o ama, e está com o sujeito por obrigação, o que chega até ser patético. Sónia interpreta presentemente o papel D. Constança, na peça em cena Auto da Índia da autoria de Gil Vicente. É uma mulher adulta e madura, com o seu estilo diletante, mas no Mundo do Espetáculo não tem sucesso, assim como no casamento. Enfim, tudo uma consequência da crise económica e social que assombra Portugal!

Ultimamente Sónia arranja todos os pretextos para andar mais tempo na rua e eram cada vez mais frequentes as chegadas tardíssimas a casa Lisa tinha acabado de tomar banho, e já vestida com o pijama e o roupão, encontrava-se a jantar com o seu pai.

- Pai, onde está a mãe? - Pergunta a rapariga muito preocupada.

- Não sei. Mas deve de estar no teatro. - Responde Scott ainda mais preocupado. - Ou presa no trânsito – acrescenta, ainda acreditando mais nesta hipótese. - Vá, come.

- Se eu me despachar depois posso esperar pela mãe? - Pergunta Lisa

- Não sei, amanhã tens que te levantar cedo – Responde Scott angustiado.

- Mas pai, eu já há tanto tempo que não a vejo. - Afirma Lisa, tentando convencer o pai.

*
Não muito longe da casa de Lisa e da sua família, habitavam numa outra os Silva Lobo. Já era tarde e Sérgio não chegava e, às tantas, era melhor assim. Pedro, o filho mais novo do casal, estava fechado no quarto, entristecido.

Sérgio Silva Lobo tem quarenta e quatro anos e é o presidente da câmara de Lisboa, e sempre teve grandes aspirações políticas. É casado com Dora Silva Lobo e teve três filhos com ela – Gonçalo, Tiago e o Pedro.

Gonçalo Silva Lobo é casado e vive nos Açores; Tiago é o filho do meio; é membro da Policia Judiciaria, solteiro e bom rapaz, vive no Porto; Pedro, o filho mais novo, ainda vive em casa. Pelo menos nas férias, sim.

Dora Silva Lobo vive para manter as aparências. Não amando Sérgio, vive com ele, amedrontada, temendo também pelo filho mais novo. Como não tem onde cair morta, mesmo sabendo que o seu marido não é flor que se cheire, sabe ao mesmo tempo que ao menos ao seu lado tem um teto. Não arrisca em contrariar Sérgio porque sabe que nem é capaz de o enfrentar sozinha, nem com a ajuda de Pedro. O maior medo de Dora é que Sérgio descubra toda a verdade.

Pedro Silva Lobo é o oposto do pai, um rapaz sensível com carácter em demasia para a sua idade, tem catorze anos mas mais aparenta ter dezoito. Ao mesmo tempo é fraco, deixando-se levar pelas aparências com igual facilidade.

Pedro estava trancado no seu quarto havia horas. Triste, pensava que o seu pai, que não pára de falar no trabalho, e não gostava de si. Dora não aguentou mais ver o seu filho assim e sobe as escadas, batendo à porta do seu quarto em seguida.

- Filho, abre a porta, por favor! – Pede-lhe. – Deixa-me entrar, quero ver como é que estás! Estou preocupadíssima contigo!

Pedro, que estava deitado na cama, com uma mão por baixo da cabeça, e jogava uma bola de ténis para o ar, apanhando-a com a mesma mão, levanta-se, descalço, e caminha até à porta. Encostando-se à ombreira, abre-a e deixa a mãe entrar.

- Filho, como estás?

- Estou bem – responde Pedro, abrindo os braços – Graças a Deus que estou vivo! – Acrescenta ele sem ter noção do seu estado.

- Pedro, tu não estás bem! O que se passa? – Insiste Dora novamente.

- Mãe, eu sou um homem… – Pedro limpa uma lágrima e não consegue continuar.

- E os homens não choram. – Completa a mãe por ele. – Mas não há problema nenhum em chorar, às vezes deitar tudo cá para fora faz bem; desabafas!

- Mãe, porque é que o pai não gosta de mim?

- Da onde é que tiras-te isso agora? – Admira-se Dora – O teu pai gosta de todos vocês de igual forma, não há distinções.

- Claro, deve ser por isso que, faça eu o que fizer, ele não repara em mim – justifica-se tristemente o rapaz.

- Não digas isso, filho. – Nega Dora – Eu e o teu pai amamos-te, e muito. – Adianta.

- Se o diz – acede Pedro, pouco convicto. – O pai, já chegou? – Pergunta, com falta de interesse.

- Não, julgo que não – responde Dora, com uma expressão totalmente diferente no rosto. Depois, volta-se e dirige-se para a porta.

- Mãe. – Chama Pedro. A mãe retorna ao seu lado. – A mãe acha normal que o pai me esteja sempre a dizer que o Gonçalo não fazia tantos disparates? E que o Tiago era exemplar na escola? Que só comigo é que existem tantos despropósitos assim? – Pergunta verdadeiramente angustiado – Será que ele já se deu conta de que eu sou o Pedro? Que sou diferente de todos os outros?

- Tens que lhe dar um desconto, Pedro – apazigua-o Dora – Afinal, ele é teu pai.

- Antes preferia que não fosse – diz Pedro, deixando a mãe, um pouco sem saber o que dizer.

- Bem, tu vens jantar, vou avisar a Joana! – Declara Dora, saindo em seguida do quarto.

Pedro fica só e deita-se na cama, pensando há quanto tempo precisava de algo diferente na sua vida, alguma coisa que lhe desse a paz necessária e o tornasse feliz, um motivo pelo qual o fizesse sorrir e o modificasse totalmente. O rapaz carece de afecto.

Ouve uma música repentina; um aparelho preto salta no chão.

- Que chatice!

Ele levanta-se e apanha-o, premindo depois a tecla verde e encostando-o ao ouvido.

- ‘Tou.

- Olá Pedro! É o Tomás! – Dizem do outro lado da linha – Olha fui à net e ver se estavas online e como…

- Não estava, resolveste chatear! – Conclui, Pedro. – Vá, diz rápido!

- Era para te convidar para sair, hoje.

- Ah, e onde?

- Ao Bauhaus. Tentávamos arranjar umas miúdas.

- Pode ser. Mas umas miúdas? Deixa-me ir ver a minha agenda…

- Oh, ok. Já passo aí apanhar-te.

- Não dá! – Pedro faz uma pausa. – Espera, talvez possa sair mas ninguém pode saber, cá em casa! Trazes o carro da tua mãe?

- Levo.

- Óptimo, então eu posso conduzir! – Informa Pedro.

- Sim, se quiseres.

Alguém bate à porta do quarto de Pedro e ele desliga o telemóvel.

Tomás Bettencourt era o melhor amigo do Silva Lobo. Tendo os dois a mesma idade, andam juntos para todo o lado e não vivem um sem o outro. Tomás é parceiro de todas as loucuras de Pedro, para além de seu cúmplice.

- Ai! Que susto! Queres matar-me do coração? – Exclama Pedro.

- Desculpe, menino Pedro. Era só para lhe dizer, que o jantar está servido e que sua mãe o espera na sala.

- Ok, Joana, eu vou já. – Diz o rapaz, saindo do quarto e descendo as escadas atrás da empregada, ao mesmo tempo que alguém toca à campainha. Atravessa a sala, um homem com calças pretas com finas riscas claras, camisa branca de laço preto e um colete a condizer com as calças, com um monóculo encravado no olho, e com os sapatos tão envernizados que alguém poderia ver o seu próprio reflexo, dirigindo-se à porta no seu passo lento. Abre-a e deixa entrar Sérgio.

- Boa noite, Doutor – cumprimenta o empregado.

- Onde estão a doutora e o Pedro? – Pergunta Sérgio, enquanto dava a pasta ao seu fiel empregado.

- Estão na sala. Vão agora jantar – declara o empregado

*


Lisa está no quarto, deita-se na cama e tenta dormir, já que o seu pai não a tinha deixado esperar pela mãe. Ela ouve uma porta a abrir-se e as luzes da sala acendem-se de repente.

- Tu não tens vergonha? – Pergunta Scott, incrédulo, ao ver Sónia a entrar em casa.

- Scott, eu estava a trabalhar – desculpa-se ela.

- Do you know what time is it, Sónia? – Pergunta Scott, quase fora de si. - Are you insane? This house is yours, but I pay for your bills, so it’s my home too! Therefore, I think I can whatever I want!

“”” – Estás maluca? – Pergunta Scott, muito sério. – Isto é teu, mas eu pago as tuas contas, então também é meu! Portanto eu acho que posso falar como quiser.”””

- Oh, meu querido, se não estás bem, muda-te – reponde-lhe a mulher muito tranquilamente.

- You have a daughter with me, you are married to me and I don’t accept the consequences of your career, the attention you raise among other men! – grita Scott.

“””- Tu tens uma filha comigo, tu és casada comigo, e eu não aceito as consequências da tua carreira, a atenção que despertas nos outros homens! – grita Scott”””

No andar de cima, Lisa aperta a cabeça contra o colchão e tenta tapar os ouvidos.

- Eu não estou para ouvir isto, John! Eu sou uma mulher que trabalha, para sustentar a minha família, enquanto tu ficas para aí o dia todo ao computador – acusa Sónia. [atenção começam as desconfianças de Sónia em relação ao trabalho do marido].

- You ought to, or I’ll return to New York! – Grita John Scott.

“””- É melhor que o faças, ou eu volto para Nova Iorque!”””

- Então vai! O que é que está aqui a fazer? Vai para Nova Iorque, vai, escusavas é de ter vindo, para cá. – Retorque Sónia.

Na cama, Lisa dá voltas, sem conseguir adormecer com os gritos dos pais que não diminuem. Ela levanta-se sem ligar a luz, o luar bastava para que visse dentro do seu quarto. Caminha devagar até à cómoda, e pega num jarro tenta deitar água num copo, mas o jarro não tem nada. Lisa move-se novamente, circunda a cama, e assim consegue chegar à porta ainda fechada. Depois de agarrar e de vestir o seu roupão, abre a porta do seu quarto e sai, apoiando-se no varandim interno.

- O que é que se passa aqui? Vocês já viram que horas são?! – Exclama, quando se decide a descer as escadas. – Daqui a nada vem cá a policia, outra vez! Acho que já chega! – Lisa vai directamente até à cozinha, onde consegue saciar a sua sede.

- Vês o que fizeste?! – Acusa John ao mesmo tempo que cruza os braços, trémulos de nervos.

- Ai! Eu; é que fiz? Eu? John, eu farto-me de trabalhar e tu ultimamente… É que andas com uns ciúmes doentios. – Compõe a mãe de Lisa.

- Sónia, tu és uma mulher de família! Devias de estar aqui quando nós chegássemos. E não ficar no Teatro… – começa a dizer John tentando-se acalmar, para não sentir que deixa Lisa traumatizada.

- E já agora queres ter o jantar feito, não? – Reclama Sónia – John, eu nunca fui uma dona de casa exemplar aliás, tu sabes disso muito bem.

- Olhem, eu desisto! Vocês façam o que entender, mas deixem-me dormir! – Roga Lisa ao passar novamente pelos pais no caminho de regresso ao seu quarto.

- Deixa-me ver as tuas mãos, please. – Pede John ao mesmo tempo que estica a sua mão ainda trémula. Sónia põe a mão sob a sua. – Pois, se não fosses constantemente à manicura, e não arranjasses o cabelo dia sim, dia não serias uma dona de casa perfeita. Com respeito, aos ciúmes não me esqueci. – O sorriso na cara de Sónia desvanece-se. - Sim tenho-os mas não são teus, melhor até tenho raiva, ódio seja o que for, mas quero que saibas que eu não aguento ver os outros homens a babarem-se e a olharem para ti como se tu lhes pertencesses! – Grita John.

- Mas eu sou uma actriz! Eles não olham para mim, olham apenas para as personagens que eu represento! Tu não tens que ter ciúmes… – justifica-se Sónia.

- Para mim acabou – afirma John com a lágrima no canto dos olhos.

- O que queres dizer com isso? – Pergunta Sónia de repente aflita e super preocupada.

- Não vou dormir com uma mulher que se oferece aos outros homens – declara John.

Sónia dá-lhe um estalo a que John vira a cara para o lado. Em seguida, vê-se agarrada pelos pulsos abanada de forma violenta pelo marido. Este aproxima de Sónia de modo a impor-lhe respeito.

- Olha lá, minha menina, tu nunca mais me voltas a tocar, percebido?!

Um som vindo do exterior, uns faróis que iluminam o recinto, pára um carro à porta de Sónia, uma pessoa alta e trajada de preto ouve a discussão e pensa, duas vezes antes de agir. No entanto, mete a chave à porta e roda-a na fechadura empurrando a porta e depara-se com a discussão.

As almofadas do sofá pelo chão, Scott muito violento, e uma mulher que chora. As lágrimas de dor, de tristeza, de angústia de Sónia que lhe deixaram a cara toda vermelha e inchada, o ranho que entrava na boca, e fazia bolas nas narinas. Os cabelos despenteados abanavam-se no ar. A visita fica chocada com tal situação.

- Larga-a já, John! – Ordena-lhe Pipa.

Pipoca Castro, ou Pipa como frequentemente lhe chamam, é a confidente e assistente pessoal de Sónia. Próxima da família Scott, é testemunha do grande Amor que John nutre por Sónia e da dedicação que ele tinha a Lisa. Assim, não podia acreditar que John conseguisse levantar um dedo contra Sónia. Ele não seria capaz…

Mas agora que via aquela cena, as coisas mudavam. É sempre muito diferente quando ouvimos alguma coisa ou quando a vemos com os nossos próprios olhos.

- John, eu defendi-te sempre! Como é que tu pudeste? Não, como é que tu podes?! – Pergunta Pipa sem obter respostas para o que acaba de acontecer. Scott, tomando consciência de si e vendo o olhar enraivecido de Sónia, afrouxa o aperto na mulher.

- Eu vou passar a noite a um hotel! – Anuncia John, tentando esconder-se de si mesmo.

Sentia uma vergonha intensa e súbita, ele estava louco de ciúmes. Atira Sónia a tossicar para o chão e sobe as escadas a correr. Entra no seu quarto, abre o guarda-fatos, e pega na mala de viagem e atira com a sua roupa lá para dentro. Em seguida desce para a sala novamente.

Pipa entra na sala vinda da cozinha, de onde trouxe um copo com água da torneira e aproxima-se de Sónia, que ainda está sentada no chão. Ajudando-a a levantar-se, é abraçada por ela com força e Sónia começa então a chorar.

- Chiu! Já passou… – informa Pipa, na tentativa de acalmar Sónia.

- Obrigada, eu não sei o que seria de mim sem ti, Pipa! – Declara Sónia tentando recuperar o fôlego.

- Aquele brutamontes nunca mais te vai fazer mal, Sónia – adianta Pipa, dando-lhe o copo com água e tentando fazer com que ela o bebesse.

Sónia recusa e aproxima-se a passos pequenos do sofá da sala. Senta-se e começa a desabafar com a sua assistente.

- Pipa, minha amiga – diz Sónia, ao mesmo tempo em que retorna a chorar. A outra mulher abraça-a transmitindo-lhe afecto e carinho.

- Vá, calma, calma Sónia… – E dá-lhe o copo novamente. – Bebe com cuidado.

*
Fora da casa de Sónia estava Scott, que arrastava o seu pesado trolley até a bagageira já aberta do seu jipe, fechando-a em seguida e dirigindo-se para trás do volante. Fica um tempo parado e sem dar à ignição, para pôr o carro a trabalhar. Scott não consegue acreditar no que acabava de acontecer: ele que era sempre tão calmo… Como é que podia fazer tal coisa à sua família? Como podia perder o controlo à situação e espancar Sónia de uma forma tão violenta? Por fim, decide-se a pôr o motor a trabalhar engata a primeira velocidade e arranca no escuro da noite, só com a luz branca do luar. Apesar da imensa luz existiam árvores que se elevam aos céus e com as suas ramagens faziam desenhos no chão, tentando esconder a lua.

Era uma noite magnífica e, contudo mágica. A luz que a Lua irradiava era demasiado forte, demasiado intensa, demasiado esplendorosa.

Enquanto isso, Sónia, já mais calma, conversa com Pipa na sala.

- Tu viste! Oh Pipa, tu viste que eu estava a trabalhar!

- Sim, Sónia… E de facto esta atitude do Scott, não me agrada nada.

- Ele tem andado muito exaltado… Eu até comentei contigo no outro dia, lembras-te? Ele às vezes recebe uns telefonemas estranhos, e depois fica assim!

*
Sérgio entra na sala da sua casa, uma divisão ampla, só com uma mesa ao meio, e um móvel encostado cheio de salvas de prata. As persianas abertas deixavam entrar o Luar brilhante que inundava a sala, o ambiente era iluminado por um candeeiro de cristal pendurado no tecto, oito lâmpadas que transmitiam luz:

- Boa noite, família! – Cumprimenta Sérgio, em seguida sentando-se à cabeceira da mesa.

- Eu perdi o apetite – diz Pedro tirando o pano de cima das penas e pondo-o em cima da mesa.

- É por minha causa? – Pergunta Sérgio, antes do filho sair.

Pedro encara o pai, estica os olhos e não lhe responde, saindo bruscamente da sala e, de seguida, subindo as escadas a correr. Já no seu quarto, ele fecha a porta atrás de si e dá início ao seu plano. Atira a roupa da cama para trás e põe, varias almofadas sobre o colchão, cobrindo-as em seguida. Um assobio desperta-lhe os sentidos. Pega depois na chave do seu quarto, bem como na chave de casa, e mete-as ao bolso das suas calças de ganga. Abre a janela, senta-se no parapeito e passa as pernas para fora, e salta para o jardim. Tomás já o esperava em baixo:

- Tu estás louco? – Pergunta-lhe Tomás.

- Cheguei – declara Pedro. Olhando para a lua. – É bonita, hoje! – Pausa – então vamos a isso? – Desafia Pedro.

- Então conseguiste arranjar as miúdas?

- Não. Vamos arranjar quando lá chegarmos – afirma Pedro, totalmente confiante.

Ambos prosseguem caminho a pé, está uma noite agradável, com céu limpo. Nem uma nuvem, nem um sinal de chuva para o dia seguinte, até estava uma noite quente com as temperaturas acima dos dezoito graus Celsius. Havia inúmeras pessoas na rua que passeavam a travessa dos beijos, cheia de pessoas que a esta hora falavam entre si.

- Foi pena tu não trazeres o carro – comenta Pedro.

- Yah, podes crer, meu! Mas a minha mãe ainda não se tinha ido deitar – justifica Tomás – Mas, também é perto é já ali. Olha! – Aponta ele.

- Pois, é o que te vale.

Chegam à porta. Um segurança intervém.

- Ei! Vocês aí, que idade têm?

- Eu? – Responde Pedro – Dezoito anos. E ele tem dezanove – mente.

- Tudo bem, Silva Lobo, entrem lá – concede o Segurança depois de olhar bem para Pedro e de o reconhecer.

Os dois rapazes entram num edifício em PH (Propriedade horizontal) o Bauhaus Club, uma discoteca tinha aberto há pouco. Era um lugar enorme e escuro e entrava-se ao contrário de qualquer casa. Isto é a Baubaus Club, tinha três andares, entrava-se no segundo e era iluminado por milhões de luzinhas que todas piscavam. Pedro e Tomás desceram as escadas cobertas a granito bege antiderrapante. No tecto existem múltiplas bolas penduradas de espelhos e, num salão em baixo, a escuridão dominava o ambiente e as luzes alternavam consoante a música que o DJ Lewis escolhia do seu set para pôr a tocar. Só uma luz se mantinha acesa – a do bar, para onde Pedro se dirigiu e onde se sentou ao balcão, aguardando a aproximação do barman.

- O que deseja?

- Pode ser dois martinis, por favor! – Tomás sentou-se a seu lado.

- Estás bem, Pedro?

- Sim, estou, só tenho sede – explicou o Silva Lobo.

- Ah, sim, sede? Tudo bem.

- Deixa lá que as miúdas vêm aqui – garante Pedro ao amigo com um sorriso. – Não me esqueci já para não dizer que eu também preciso de uma – acrescenta.

Tomás sente-se estranho, sente ciúmes de Pedro. Ele não sabia ao certo o que significavam, mesmo que lhe perguntassem não vos saberia responder. O barman traz os martinis que serve a Pedro e a Tomás. Entretanto chegam duas mulheres ao pé do Silva Lobo e começam a brincar com ele. Pedro pousa o copo vazio em cima do balcão e gesticula para voltar a chamar o barman.

- Outro – pede.

O empregado serve-lho, Pedro traga-o. A seguir, decide pedir outra coisa mais forte, que despacha num instante. Com isto, tenta apresentar Tomás a uma das mulheres.

- Tommy! Oh Tommy! – Chama. – Tu onde estás, meu?

- Oh, Pedro. Estou aqui!

Pedro já se mostrava alterado com a bebida, que provavelmente teria começado a fazer efeito.

- Olá, borracho! – Chama o Silva Lobo a uma das mulheres.

- Olá, olhinhos. Como é que te chamas?

- Olha, isso é que é uma boa pergunta. – E começa a rir às gargalhadas – Mas, então e vocês? Como é que se chamam?

- Deves estar bêbedo, não?

- Quem eu? – Aponta para si próprio – Não, ainda não bebi nada. – Responde Pedro em seguida aponta para Tomás – Eles é que estão, os três. Eu ainda consigo fazer o sessenta e nove! – Pedro engana-se, querendo dizer antes que “ainda conseguia fazer o quatro”. – Mas como é que vocês se chamam? – Insiste.

- Beta.

- Ah, que giro! As duas?

- Como queiras… – responde Beta.



*
Na casa Valentino.

Lisa conseguiu adormecer desde que a casa ficou em silêncio com à saída do pai e Sónia tenta ir para o quarto, precisando do precioso auxílio de Pipoca Castro para subir as escadas e chegar lá. Já dentro da divisão, a actriz espreita o armário e repara que a roupa de Scott não está lá.

- Pipa!! Ele deixou-me! – Exclama.

- Estavas à espera de quê? – Pergunta Pipa. – Até é melhor assim: ele volta para Nova Iorque, a terra de onde ele não nunca devia ter saído, reconstrói a sua vida, e são os dois felizes para sempre.

- Não, não, tu não entendes! Não percebes que ele se pode vingar na Lisa? Eu sei que vai.

- Não, Sónia, estás a ser paranóica. Ele é o pai dela, no final de contas – tranquiliza-a Pipa. – Pronto, já passou! Agora devias dormir, Sónia.



A noite avança no seu curso normal, o luar entra no quarto de Lisa, bate no espelho e reflecte para o candeeiro de cristal. Ao fim de algum tempo ela acorda, não consegue dormir devido à discussão entre os pais na noite anterior.

Levanta-se e veste o roupão de seda branca, abre a porta e em seguida desce as escadas. Não encontra ninguém na sala, entra na cozinha, dirigindo-se ao armário que está em cima do lava-loiça. Pega num copo com água e bebe a água.

Regressa à sala. Desta vez não está só:

- Pipa! A mommy? – Pergunta Lisa, francamente preocupada.

- A tua mãe está a descansar.

- Tem algo a ver com o meu dador de espermas? [como Lisa designa Scott a partir de agora] – Lisa advinha o que acontecera.

- Não, Lisa não tem. – Pipa mente por que quer proteger a Lisa e não quer que esta sofra.

*

No Bauhaus, Pedro ainda lá estava, sentado agora no balcão com o cotovelo em cima deste e com a palma da mão a segurar os seus lindos cabelos pretos. Beta não o largara, nem um só minuto, agarra-o:

- Anda lá para ali. – Pedia ela, tentando fazer com ele a seguisse, até um sofá situado no meio do salão. Pedro já via tudo ao contrário – Por favor!

- Não – Ele recusa o convite de seguir Beta, talvez por ver tudo turvo. – Estou bem aqui! – Emenda, a voz já lhe arrastava. E deixa que Beta se aproxime dele.

- Sabes que tu és um rapaz muito bonito – diz ela baixo ao ouvido.

- Sei sim… – é interrompido por Beta.

De facto, Pedro era um lindo rapaz tinha os olhos azuis tal como Sérgio, era alto tinha aos catorze anos um metro e setenta, magro e muito conquistador. Enfim o seu sorriso era irresistível, fazia parte do seu charme. Pedro era um diletante, gostava de oferecer imensos presentes caros às suas namoradas mas ainda era virgem, embora faça de tudo para parecer o contrário.

- Eu acho que me apaixonei por ti – Diz Beta.

- Achas ou tens a certeza?

- Não sei se a tenho! – E aproxima-se dele, agarra-o, puxando-o para si, e beija-o.

Ora Pedro reage muito mal a esta situação,

- Então pah isto agora é assim chega-se aqui e beija-se?

- Desculpa achei que te devia animar… – Responde Beta meio, confusa.

- E quem te disse que eu precisava de animação? – Beta fica furiosa. E Pedro começa a rir a bandeias despregadas.

- O que foi? – Pergunta Beta, lixada com o fora de Pedro.

- Anda cá. – Pedro agarra-a pela cintura. – Eu agora só te quero beijar! – E ambos recomeçam a beijar-se.



Tomás olhava incrédulo, como ele era capaz de tais façanhas? Pensava agora neles, de cada vez que Pedro lhe contava que tinha uma namorada, ele sentia-se a morrer cada vez mais por dentro. Tomás ainda não sabia o que significava aquele sentimento forte e tão puro que sentia por Pedro mas sentia que por vezes ia explodir, a cada momento que visse a sofrer, Tomás só o queria consolar. Que estranho haver este sentimento entre amigos, não é?

Voltando agora à história, Tomás vai buscar Pedro:

- Olá D. Juan, vamos embora?

- Tu quem és? – Pergunta Pedro, não reconhecendo Tomás.

- O Tomás, o teu melhor amigo. – Beta escreve alguma coisa num papel, dobra-o em quatro e em seguida dá-o a Pedro, ao mesmo tempo apalpando-o, e indo-se embora, Pedro dá-lhe uma palmada no rabo que a fez tremer.

- E se for contigo, para onde vamos? – Pedro puxa a Beta para si, dando-lhe o último beijo.

- Para casa. Pedro

- O que é isso de casa? – Pergunta o rapaz, totalmente fora de si – Alguma bebida que ainda não bebi, quero provar.

Tomás apercebendo-se do estado em que estava Pedro e com pena por este estar bêbedo, fala.

- Não achas que já bebeste demasiado por hoje, Pedro? – Pergunta, indignado.

- Beber? Quê, eu? – Tomás não liga muita a este facto.

- Pedro, anda que eu levo-te a casa que também tenho sono…

Tomás, a muito custo, conseguiu convencer Pedro. Este levantou-se da cadeia na qual estava sentado e sentiu as pernas trémulas e bambas, até que por fim provou o sabor do chão do bar. Tomás ajudou-o a levantar-se e foram abraçados até à porta de saída, lá fora Pedro torna a cair e Tomás deixa-o ir no chão.



Rompe o dia, a brilhante Lua dá lugar aos primeiros raios de Sol ainda laranja, os negócios nocturnos fecham as portas e esperam pela próxima noite. Pedro e Tomás seriam os últimos a abandonarem o Bauhaus Club.

Nos altos prédios de uma cidade do centro já se ouvem os despertadores, as pessoas levantam-se ainda adormecidas e tacteiam até à casa de banho mais próxima para fazerem a sua higiene pessoal.

Numa rua, fora de uma discoteca, encontravam-se Pedro e Tomás. Este fazia os possíveis para segurar o Pedro, que caía frequentemente ao chão e Tomás acabou por deixar que ele fosse de gatas para casa. Já se vislumbrava a casa Silva Lobo, e quando Pedro entra no jardim de gatas, o Tufão lhe larga:

- Olá. Tu cresces-te, ou fui eu que baixei. – Pedro constata o seu estado. E prossegue caminho até à porta de entrada da moraria dos Silva Lobo.

Em seguida, sobe as escadas assim de quatro, e entra no seu quarto que teria a porta já aberta pelo Tomás. Este ajuda-o a levantar-se e a sentar-se numa cadeira. Abre-lhe a cama, pega no rapaz e atira-o para a cama, despindo-o e deixando que ele durma só em cuecas
Capítulo 2: A Outra Realidade.
Beijinhos, abraços e muitos palhaços,
Até um dia.
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MensagemAssunto: Re: A Força d'um Amor (+18)   Dom 11 Nov - 2:56

Oi Fan!
Já vi que não perdeste tempo! Vamos ver se este fórum está preparado para a vossa fic!
Beijinhos aos dois Smile
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MensagemAssunto: Re: A Força d'um Amor (+18)   Dom 11 Nov - 19:34

Bom, então é assim, como foi referido no FanFic Nacional apartir de 01 de Novembro do presente ano, esta fanfic vai ser postada alternadamente, uma vez Walk (eu) e outra vez Fan Joana Alvarenga, porque o tempo não dá para chegar a todo o lado ao mesmo tempo.
Outro assunto: se virem que esta fic é dura demais e que não estão preparados para lerem coisas obscenas, avisem-nos e depois podem apagar o tópico, não há qualquer problema.
Antes que me chamem Mentiroso, falso, hipócrita esta fic está a ser passada no Contos & Recontos, que é o nosso blog onde postamos os nossos testamentos se tiverem muita curiosidade o link está na assinatura * Ahm! Desculpem a publicidade*


@ Fox*! Agradeço-lhe imenso o facto de ter comentado. Beijinhos, Walk. (Sabe que eu gosto sempre desta parte, lol)













Capitulo 2 – A Outra realidade

O dia amanhece, o Sol levanta-se cor de laranja, os pássaros voam nos Céus, em cima de uma árvore um deles abre as suas enormes asas e voa, deixa um ninho cheio de passarinhos novos a chilrearem, talvez estranhando um pouco a atitude do progenitor, que voa de repente. Pobres criaturas, deixam-nos sozinhos em tão tenra idade. Uma cadela vadia está grávida e há um rebentamento das águas, chegou a hora de ter as suas crias, pobre animal que uiva de dores.

Uma rua de terra batida vai levar a uma fileira de casas de ambos os lados, casas construídas com tijolos e uma chapa de zinco, da cor do alumínio, por cima, a servir de telhas. As habitações rudimentares não tinham condições no seu interior não existia uma casa de banho ou uma cozinha, por vezes era apenas uma divisão ampla, com tudo no seu interior, cama e um mísero fogão, sem uma tiragem. Não tinham sequer uma placa que separasse a terra do chão de casa e estas eram iguais umas às outras e, naquela localidade, a maioria não tinha porta. A pobreza era asfixiante, habitavam, na sua maioria, africanos e pescadores que viviam do mar, maioritariamente desempregados. No extremo oeste desta realidade começa a ver-se uma zona que aparenta ser mais rica, começam a visualizar prédios amontoados uns atrás dos outros, já com condições mínimas cada apartamento tinham três assoalhadas, uma casa de banho, electricidade e água canalizada.

Um grupo de africanos, lábios grossos e cabeças rapadas, trajava umas calças largas em que a cintura lhes chegava até aos joelhos, com umas t-shirts, e com bonés na cabeça postos com a pala para trás, reúne-se debaixo de um telhado de um prédio e prepara o próximo assalto. Conversam enquanto esperam pelo líder, limpando as suas armas, armas brancas e de fogo de calibres ilegais. O líder está atrasado e teima em não chegar.

- Brother, o Alex nunca mais chega, e se foi preso? – Pergunta um dos que espera, ansiosos pela chegada do chefe.

- Mano, não me parece, aliás ele é muito esperto. A bófia não o apanha. – Afirma outro. – Vais ver que está com uma dama. E atrasou-se. Daqui a nada ele aparece.

- Mas, mas, mas… não é dele. – Diz o primeiro.

- Sim mas há damas que são muito exigentes – justifica.



Um quarto de luxo, com cortinas brancas, a tábua e os pendentes amarelos com pequenos motivos, o chão alcatifado a rigor e uma cómoda encostada a uma parede, uma secretária com um aparelho musical uma cama ao meio um guarda-fatos as duas mesas-de-cabeceira uma a cada lado da cama.

Havia a roupa pelo chão espalhada e um barulho estranho, as molas de um colchão chiavam, numa cama, os lençóis cobriram dois corpos, já desnudados que se beijavam e se apertavam, um corpo de homem musculado, esmagava e apertava, com força o corpo de uma mulher, as respirações ofegantes, uma coisa dura incha e pesa nas coxas da mulher, esta abre as pernas e ele introduz-lhe o instrumento dentro da sua vagina, mais uma vez, em seguida um liquido espesso e gelado entra nela, e começa o movimento do “vai e vem”, os testículos batem á entrada da vagina e ouvem-se gritos de prazer. Trocam de posição, ela está por cima dele, e tenta fazer com que o seu cliente fique satisfeito. E ele retira o pénis dentro da sua vagina e põem-na na posição mais favorável para o sexo anal, onde ejacula, com um dedo introduzido na vagina, ao fim de ele atingir o auge da sua relação sexual retira o pénis e ela, com as suas mãos delicadas, massaja no meio dos peitos. A seguir mete-o na boca, chupando-o, onde ele ejacula e ela engole o líquido. A seguir ele introduz-lhe a língua na vagina e chupa.

Ele levanta-se, ela ainda deitada olha-o, tirando-lhe as medidas:

- Que foi, Rita? – Pergunta – Não gostaste?

- Não, eu não gostei, Alex. – Responde Rita. – Eu amei.

- Foda-se, já estou atrasado. – Constata Alex ao reparar no relógio.

Em seguida saiu deixando uma nota em cima da mesa ao lado da cama, fechou a porta atrás de si. E corre até à porta do prédio ainda pondo o boné na cabeça, como os seus amigos.

Alex era o único miúdo branco que tinha vinte anos e agilidade necessária para não se deixar apanhar. É ele o chefe de quadrilha. Fora do prédio começa a andar a um passo rápido. Atravessa a rua e entra naquela zona mais pobre do bairro, caminha por entre barracas degradas e chega ao local de encontro, um alpendre velho, resultante de um vão entre duas barracas cobertas pela mesma folha de zinco.

- Desculpem o atraso, pessoal. – Diz o branco, chegando perto do grupo. – Tenho o salto perfeito para esta noite… – declara o mesmo.

- E se a bófia aparecer entretanto, como é que é? – Responde o black, intimidado.

- Fónix, não vai aparecer… – diz o branco com toda a confiança. – Então é assim, se por acaso aparecer alguém, vós só lhes tendes que limpar o sebo.

- Mano, eu não vou matar ninguém. – Declara outro interlocutor

- Fosgasse pah, tu queres ficar rico, ou não? – Pergunta Alex, francamente irritado

O black engole em seco e começa a ficar tímido e muito nervoso. O black trajava umas calças pretas largas uma camisola branca com o cabelo apanhado dentro do boné escuro. Era conhecido por Tó.

Tó completou apenas o nono ano de escolaridade e saiu da escola, é de descendência africana. O pai desempregado e a mãe só trabalha em casa, vendo-se obrigada a procurar emprego. Tó é explorado por Alex. Tó quer emigrar para Angola sendo esse o seu principal objectivo, pois ainda não conhece África e acha que lá consegue emprego.

Quando deixa a escola, depara-se com a miséria do seu bairro, e vê que tem de ajudar os seus pais logo após o pai, que trabalhava num supermercado e foi despedido sem justa causa porque alguém roubou e depois atirou com as culpas para cima do Aníbal, vir para casa e não querer saber de mais nada a não ser passar os dias inteiros sentado em frente à televisão. E é Marta, a esposa, que tem de trabalhar. Ela que estava só habituada a cuidar da casa.

- Deixa-o, Alex desde que ele anda com a dama que vem todo estranho…

- Eu sei Caijô que desde que ele come a dama dele…

Caijô é da confiança de Alex, é um negro que não olha a limites para cumprir com os objectivos a que Alex lhe obriga, para assim provar a sua fidelidade, para com ele.

- Chega… Só não acho justo, que seja assim, porque é que temos de abater alguém? – Pergunta Tó. – Já pensaram que esse branco ou branca que vão matar pode ter filhos, filhas, alguém a cargo e vocês não matam só essa pessoa mas sim uma família inteira?

- Tu ainda não me obedeces, não sabes que sou quem mando, caralho? Ou queres que eu te foda os cornos… – Vocifera Caijô que se revolta, já com a faca encostada ao pescoço de Tó.

- Ei meu acalma-te, aqui ninguém mata ninguém – Declara Alex que vê a cena e não lhe agrada. – Parece que estamos entendidos! – Exclama ele.

Acabada a reunião Alex vai embora e Caijô vai atrás dele, chamando-o:

- Alex! – Ele espera por Caijô – Estás chateado?

- Como é que queres que eu esteja? – Olha para ele por baixo da testa – já viste os teus comportamentos, achas que agiste bem? Vê tu próprio e diz-me se o Tó tem culpa… De alguma coisa.

- Desculpa – pede o outro.

Ambos vagueiam pelo bairro, vêem as mulheres que passam para os seus empregos, mandam piropos. As mulheres olham para eles, e riem.

Tó, por sua vez dirige-se para a parte mais rica do bairro. Anda por entre casas, e jardins até à paragem, ele quer ir ao centro comercial ver as novidades e os preços, enfim mentir que é rico. Enganar assim a pobreza e a miséria em que vive.



Na zona mais rica do Bairro vive a Carla. A Carla é branca, frequenta o décimo ano da escola, sonha em ser médica e ir para Angola quem sabe um dia, talvez. É filha de uma florista e de um marchante desempregado. Custodia, a mãe, é branca e racista. Não quer que a sua filha se dê com negros, vê-os com fracos olhos, devido à onda de assaltos que se vive no bairro.

A melhor amiga de Carla, Ana Maria, vem chamá-la. Carla despede-se de sua mãe e desce:

- Logo quero-te lá na loja, ouviste? – Pergunta Custodia.

- Não te preocupes, a partir das três lá estarei. – Promete Carla pegando nas torradas e saindo de casa.

Ambas dirigem-se para a paragem do autocarro. Descendo a rua e sentando-se no banco de madeira debaixo do coberto, as duas amigas conversam.

- Temos que combinar para irmos ver as notas. – Afirma Ana Maria.

- Sim, senão tu vais e depois envias-me as minhas, pois a minha mãe quer que eu a vá ajudar lá na loja. – Declara Carla.

- O Verão inteiro? – Questiona Ana Maria.

- Não sei, mas penso que sim. – Afirma Carla – Porquê?

- Porque assim, não dá para sairmos. – Responde Ana Maria, tristemente.

- Penso que sim, que dá até porque o trabalho só deve ser umas horas.

Tó, que está encostado ao pilar da paragem, olha para as duas raparigas. Ana Maria repara que ele está a olhar para a Carla, e aproxima-se da amiga, as duas cochicham. Carla olha para Tó e volta a olhar para Ana Maria.

Pela cabeça de Tó só lhe passa uma coisa. “Que linda ela é. A amiga também mas ela é a mais linda.” O autocarro chega finalmente, Tó aproxima-se, mostra o passe e entra, assim como Carla e Ana Maria também entram as duas amigas conversam e riem muito, sob o olhar atento de Tó.






*
O sol sobe no horizonte, sendo cada vez mais tarde. Um amontoado de casas junto à Ribeirinha do Porto recebe uma faixa do astro Rei que aquece as paredes das casas e dá bom ambiente às ruas da cidade nortenha.

As faixas de Sol entram dentro das janelas dos prédios altos da faixa frontal perto da freguesia de São Nicolau, junto ao Rio Douro, recentemente faz parte do Centro Histórico do Porto, que recebeu destaque graças à nomeação de Património Mundial da UNESCO. O som de um rabelo que dava à costa é acompanhado por um bando de gaivotas que começa a voar.

Num quarto iluminado pela luz do sol existia roupa espalhada pelo chão, umas calças que se encontravam perto da janela e uma camisa preta que se localizava junto à cama e também havia um vestido que anunciava que a presença feminina em casa. Uma cama estava no meio com duas pessoas completamente nuas. Só o lençol as tapa. À cabeceira da cama de casal, encostada à parede, em cima do colchão, localiza-se um revólver preto de calibre 6.5. O estridente barulho do velho despertador dançava em cima da mesa-de-cabeceira, fazendo com que Tiago acorde.

- Ai, já? – Tiago dá um murro pouco amistoso ao relógio, fazendo com que este caia, com o barulho abre os olhos e vê a doce Raquel ao seu lado – Olá querida Raquel! – Beija-lhe os lábios fazendo com que esta acorde.

- Bom dia, Tiago. – Cumprimenta ela, com um sorriso de orelha a orelha.

- Dormiste bem? – Pergunta o judiciário.

- Contigo é impossível que dormisse mal, não achas, Silva Lobo. – Responde ela, fazendo com que ele fique logo bem-disposto pela manhã.

- Ok! Quero-te levantada dentro de cinco minutos, vestida e essas coisas – diz Tiago dando um pulo fora da cama pegando na sua arma que a põe em cima da mesa-de-cabeceira.

Em seguida, apanha o despertador e devolve-lhe o olhar de destaque em cima da mesa ao lado da cama. Circunda-a e Raquel, que ainda está deitada, olha para um corpo musculado e bem feito que tinha o Tiago. Este sorri.

- Que foi?

- Nada. A não ser que… – Raquel pensa melhor – não é nada – diz por último.

- Hum, hum. Vou tomar banho – informa-a Tiago. De seguida entra na espaçosa casa de banho do seu apartamento de luxo.

Posteriormente, entra na banheira de hidromassagens e sorri ao pensar que parte o coração a todas as mulheres há sua volta, mas no fundo é triste e sofre porque ainda não encontrou o seu amor.

Raquel, por fim levantasse e cheira uma camisa de Tiago, esfrega-a na cara é macia vestindo-a posteriormente



*
O Sol está elevado no horizonte, o dia começa a aquecer. São nove horas da manhã junto Praça Nova, que resulta do cruzamento com as Ruas da nova Alfândega, Ferreira Borges e Mouzinho da Silveira que leva a um novo eixo rectilíneo desde a rua do Infante D. Henrique ao Convento de São Bento de Ave – Maria. Subindo mais um pouco, localiza-se a Praça do Infante, onde se situam vários edifícios importantes do Porto como Tribunais e companhias de Seguro, e também o DEC (Esquadra da Policia Judiciaria). Em frente à esquadra situa-se uma rotunda que dá acesso a um pequeno jardim que separa a esquadra de uma igreja. Ao lado da polícia localiza-se um hospital.

Na esquadra da Policia Judiciaria todos os agentes e inspectores começavam a chegar e passam pela secretaria picando o ponto.

- A Raquel? – Pergunta um homem que vem do interior de um escritório.

- Ainda não chegou, Castro – responde a mulher que está sentada junto ao balcão abrindo o computador.

- E o Tiago Silva Lobo?

- Esse também não.

- Ok! Quando chegar diga-lhe, Anna, para vir ao meu Gabinete.

- Está bem meu comandante.



Tiago Silva Lobo tem vinte e cinco anos formou-se em Direito há um ano, não sabe o que é o amor ainda, ainda não encontrou a mulher da sua vida e dá-se ao luxo de ir experimentando varias mulheres até encontrar a tal. É inspector da Policia Judiciaria, sempre foi inteligente no seu curso e por isso foi destacado para o Porto sabe que não se quer casar, detesta o casamento e nem foi feito para tal, dando desgostos há mãe que nunca lhe apresentou as suas namoradas. É muito parecido com Pedro, é “um puto no corpo de um homem”. Vive num prédio de luxo. Tem tudo quanto quer, e consegue dar a volta à cabeça de qualquer mulher. É o único filho preferido de Sérgio, Tiago nunca lhe deu trabalhos, sempre frequentou o Prestigie e tirava notas altas, nunca Sérgio teve que ser chamado para repreender Tiago. Quando o pai queria falar com ele, ele lá aparecia. Sem nunca ser preciso pô-lo de castigo.

Raquel Santos trabalha na secretaria da Policia Judiciaria, pensa que é amada por Tiago, tem vinte e quatro anos. Gosta da companhia do Tiago e esta é a primeira noite que passa com ele.) Ela sabe que é de ocasião, até pelo comportamento de Tiago, mas gostava que fosse para sempre. No entanto, e como não se pode ter tudo, contenta-se com o pouco que tem. Sabe que Tiago nunca iria desobedecer a Sérgio e ela não seria a indicada para sua nora.



Raquel é alta loira e magra, tem todas as qualidades que um homem pode crer, no entanto é apaixonada por Tiago. Desde que ele entrou para chefe do departamento que ela se tem disponibilizado muito para o ajudar em tudo que ele quisesse.

Anna Segurado é quem manda no terreno. Nas missões, quando alguém vai fazer uma ronda, a Anna é quem indica por onde há-de ir. Tem vinte e oito anos, mas é estudante, ainda. Tiago ainda não a conseguiu conquistar, é para ele como um troféu. E logo ele, que quer fazer uma colecção de namoradas.

António Castro é o chefe da esquadra e “manda no pessoal”. Tem cinquenta e sete primaveras já feitas, é robusto e abastado tem celulite na barriga. (gordo).

………………………………………………………………………………………………



O Sol continua a subir no horizonte. Os galos cantam, os pássaros chilreiam, as casas de comércio abrem as suas portas e as grades de ferro sobem. As persianas das janelas começam a levantar-se e incomodam Pedro, que acaba por acordar perto das dez horas. Por fim, com uma bruta dor de cabeça, olhou à sua volta e viu que estava em casa. Reconheceu o seu quarto e a sua cama mas não se lembrava do que acontecera na noite anterior, só se lembrava de uma discussão que tinha tido com o seu pai e de o Tomás chegar. Nada mais, apenas aquela terrível e enfática dor de cabeça o denunciava. Pedro olha de repente para o chão e vê Tomás a dormir. Pega numa garrafa de água, que está em cima da mesinha de cabeceira, e deita a água por cima de Tomás com o intuito de o acordar, o que produz um grande susto no rapaz, que acorda logo.

- Então, meu, passaste-te? – Pergunta Tomás, todo encharcado.

- Chiu, dói-me a cabeça – diz Pedro. Estava bastante enjoado, tanto que parecia uma mulher grávida, levanta-se e vai a correr para a casa de banho. De seguida ajoelha-se no chão, perto da sanita, levanta o tampo e vomita. Tomás levanta-se muito calmamente e vai ter com Pedro à casa de banho. Encosta-se à ombreira da porta e assiste à queda do seu amigo. Por fim, resolve…

- Então, estás melhor? – Pergunta Tomás preocupado.

- Tomás, eu sou o grande Silva Lobo, nada me destrói… Isto não me vai destruir… – Tomás fica parvo com a arrogância de Pedro.



Começa a abrir os estores de uma varanda virada para a rua dos Amores, a rua principal do bairro de Portugal.

- Pipa, fecha isso, por favor – pede a Lisa.

- Vá são horas de te levantares. – Informa-a Pipa.

- Mas eu não tenho aulas – protesta Lisa.

- Eu sei. Mas não podes ficar na cama o dia todo. – Explica a assistente.



Pipa sai do quarto e, em seguida, desce as escadas passa pela sala e entra na cozinha.

- Bom dia, Sónia – cumprimenta-a dando-lhe um beijo na cara.

- Ai, oh Pipa, bom dia – responde Sónia ainda com sono e apoiando o cotovelo em cima da mesa. – A Lisa?

- Essa ainda está no quarto.

- Já a foste chamar?

- Sim – Pipa põe a mesa para o café da manhã. – Tira o braço, colabora lá.

Em seguida aproxima-se da banca para colocar o pão na torradeira e fazer o sumo de laranja. Põe as torradas com manteiga num prato pequeno e o jarro de sumo em cima da mesa e dirige-se ao átrio:

- Lisa, desce, vá, são horas. – Grita Pipa.

A Lisa está sentada na cama a pensar no que se passou naquela noite, na discussão que os pais tiveram e sente que a sua vida vai mudar a partir dali daquele dia. Não sabe como mas acha que irá sofrer alterações. Basta para já o seu pai não ter dormido em casa e se separar da sua mãe. Nunca mais terá os pais juntos, isso não acontecerá nunca mais e de certa forma aquele ambiente deixava-a nostálgica. Era uma nova situação para a qual ainda não estava preparada. Lisa levanta-se e vai tomar banho e reflecte em tudo e tudo lhe causa imensa confusão. Dirige-se para o quarto onde se veste e se calça. Em seguida desce as escadas e entra na cozinha.

- Cá estou eu – diz Lisa à entrada, com um belo sorriso na cara.

- Ah, filhota, que bom… – declara Sónia, dando-lhe um beijo na cara.

Lisa senta-se no seu habitual lugar. Não estava para conversas hoje, nunca estaria mas este dia seria especial em tudo.

- Lisa, que tens? – Pergunta Pipa muito preocupada com a rapariga e estranhando o facto de ela não dar os bons dias como habitualmente o fazia.

- Não é nada, Pipa, só tenho sono.

- Sabes que tu tens que manter o ritmo e as horas de acordar e de deitar como se estivesses em aulas. – Comenta Pipa.

- Sim eu sei. – Diz Lisa enquanto deita um pouco de sumo de laranja no seu copo e põe manteiga na sua torrada.

- O que vais fazer hoje? – Pergunta a Sónia.

- Vou à praia. – Depois reflecte melhor e acaba por responder. – O que é que tu tens a ver com isso?

Pipa e Sónia olham uma para a outra. E as três ficam em silêncio. Comem, a Lisa bebe metade logo de seguida, e fica com um ar pensativo.

- Que lindo dia está hoje, não é Pipa? – Pergunta Sónia com a intenção de pôr termo ao silêncio mórbido entre as três.

- Sim, é verdade Sónia. – Concorda a Pipa.

- Sabes, estava a pensar em ir às compras. – Propõe Sónia.

Lisa está absorta em pensamentos quando algo a faz despertar ela não podia com tanta hipocrisia por parte da mãe em planear uma ida ao shopping em vez de querer saber de Scott. Será que mais ninguém se preocupava com ele naquela casa.

Lisa resolve romper o silêncio, sobre o assunto que rodava Scott:

- Mumi, onde está o papi? – Questiona Lisa.

- Lisa, o pai foi-se embora – explica Sónia.

- E então porquê? – Inquire a filha

- Teve que ser, filhota… – declara a mãe.

- Tu nem me digas que ele já se encheu de ti… – Troça ela.

- Lisa Maria Valentino Scott! – Ralha Sónia. Lisa já estava a subir as escadas.



Uma paisagem verdejante, uma rotunda e um arco do Triunfo. Ao longe começa-se a ver a Torre Eiffel um casal de namorados passeia de mão dada por entre as montras da cidade de Paris. Ele é de estatura baixa com um capacete na mão e de mochila às costas. Com o cabelo preto e cortado curto, trajava umas calças de ganga e uma camisa coberta com um blusão ao passo que ela era alta, loira e tinha os olhos azuis. Trazia um capacete na mão e uma mala às costas, vestia um vestido e um casaco de ganga, falava mal português.

Manuel Guerreiro era um rapaz simpático que só queria fazer parte de uma banda. Tinha talento. O pai era empresário do ramo de alta-costura, trabalhando com os grandes empresários de moda. Manel, como todos lhe chamavam, orgulhava-se do pai que tinha e queria ser como ele em tudo. Um bom pai mas, acima de tudo, um excelente marido. A irmã de Manel é a Sarah, tem oito anos. É a irmã que Manel quer proteger sendo a sua predilecta. Manuel tem dezasseis anos.

- Manel, mon amour, rentrer avec moi… - pedia-lhe Natalie.

“””- Manel meu amor volta comigo para casa…”””

- Não dá, Natalie – mexe-lhe no cabelo – ma mère est chez lui.

“””- Não dá Natalie, a minha mãe está em casa”””

-Oui – concorda a Natalie- Je t’aime.

“””- Sim – concorda a Natalie – Amo-te.”””



Natalie é uma francesa, filha de um empresário que dá trabalho a Miguel Guerreiro, o pai de Manuel. Este gosta muito de Manuel, e aprova o namoro, dando a sua bênção para se casar com sua única a filha.



Na câmara de Lisboa Sérgio chega e a secretária fala com ele:

- Sérgio Silva Lobo… – Sérgio abre bem os olhos e olha para a funcionária – Quer dizer, Senhor Doutor, tem aqui a sua agenda para hoje.

- Oiça bem – poisa as mãos em cima da secretaria – Eu ainda sou o Vereador desta câmara e você é uma reles funcionária por isso, meta-se no seu lugar, imediatamente. Se não quer ser despedida, Mafalda.



Em seguida, Sérgio entra no seu gabinete. Era uma sala espaçosa, com estores de banda num rosa muito claro, que se confunde com o branco das paredes, sobre a janela voltada para a Avenida do Campo Grande, a mais movimentada de Lisboa. Ao lado de um pequeno vaso branco, com uma planta dentro, uma cadeira preta almofadada conjugava-se com uma mesa de madeira com o tampo envernizado. O chão era coberto por uma tijoleira e sobre a secretária estava uma pilha de dossiers sobre projectos que necessitavam de um despacho para dar andamento.

Sérgio senta-se na sua cadeira, encosta-se elegantemente para trás e põe os pés em cima da mesa a ler o primeiro ficheiro. Liga o computador e põe-o a trabalhar. Posteriormente, lembra-se de Pedro. E retira os pés de cima da mesa, senta-se como deve de ser, arrasta a sua cadeira de Rodas até ao telefone e marca uma sequência de quatro números. Do outro lado da porta toca um aparelho. A secretaria atende:

- Mafalda pode chegar aqui, por favor. – Pede Sérgio.

- Com certeza, Doutor. – Poisa o telefone.

Em seguida levanta-se e bate à porta de Sérgio, espera cinco minutos e recebe ordem afirmativa. Abre a porta e entra.

- O que deseja? – Pergunta Mafalda.

- O meu filho não está aí? – Questiona Sérgio

- Qual deles, doutor? – Duvida a funcionária

- O Pedro, sua imbecil. – Sérgio cospe as palavras rebaixando Mafalda.

Mafalda respira fundo. E conta até dez.

- Não senhor, não está. – Responde por fim.

- Então chame-o com urgência, eu quero falar com ele, peça para ele vir aqui imediatamente. E não quero desculpas, senão despeço-te. – Declara Sérgio.





Mafalda Soares é solteira e é a secretaria da câmara de Lisboa, sempre conheceu Sérgio Silva Lobo e sabe previamente que o casamento de Sérgio e Dora é só de fachada para aparecer nas capas das revistas como um casamento feliz rodeado pela mulher e pelos seus três filhos.




*
Dora dava instruções aos empregados para preparar o almoço. Não sabia se Sérgio viria almoçar ou não, e não sabia se Pedro iria acordar a tempo. No quarto, Pedro ainda dormia na cama, e Tomás no chão. Pedro abre um olho e depois outro e vê o tecto de uma casa, não se lembra de se ter deitado, olha em volta, e reconhece o seu quarto, não se lembra de nada o que fez na noite anterior nem de ter ido dormir apenas uma brutal dor de cabeça o denunciava, o que lhe era estranho, Pedro boceja, sente-se cansado até que olha de relance para o chão, e vê Tomás o seu fiel amigo e companheiro a dormir ainda, olha para cima da mesa-de-cabeceira encostada à parede e vê uma garrafa com água, estende o braço e alcança-a, desaperta a tampa e deita água por cima de Tomás com o intuito de o acordar:

- Quantos são? – Tomás ergue o punho pronto a bater em alguém. Pedro ri da figura de Tomás – Então meu? Isso, são maneiras de se acordar alguém?

- Xiu – reclama Pedro, e afasta a roupa de cima dele – dói-me a cabeça – diz Pedro já em pé dirigindo-se rapidamente para a casa de banho, pois parecia uma mulher grávida.

- O que tens? – Pergunta Tomás preocupado com o amigo.

Pedro não responde, entra na casa de banho abre o tampo da sanita e ajoelha-se no chão vomitando em seguida para dentro da sanita. Tomás ouve os urros de Pedro e o líquido a cair dentro da sanita levanta-se muito devagar e também ele se dirige à casa de banho, mas não entra, encostando-se à ombreira da porta a ver a destruição de Pedro, quando por fim resolve perguntar-lhe:

- Então estás melhor?

- Tomás eu sou o grande Pedro Silva Lobo nada me destrói… logo isto também não me vai destruir – Responde Pedro todo vermelho.

- Precisas de ajuda? – Pergunta-lhe Tomás ainda abismado com a arrogância de Pedro.

- Ajuda? Para quê? – Pergunta Pedro pondo-se em pé, e indo lavar os dentes.

De repente ouve-se o telemóvel de Pedro a tocar

– Atende tu – diz Pedro entregando o telemóvel a Tomás.

- É a Mafalda – informa-o – É melhor seres tu a atender, Pedro – diz, entregando-lhe o telemóvel.

Pedro ainda está enjoado mas já não vomita e atende a Mafalda com sublime indiferença.

- Olá Mafalda pode dizer ao meu pai que não faço nada do que ele me mandar… – é interrompido por Mafalda.

- Bom dia Pedro, eu vou-lhe dizer isso, mas é que sabe, o senhor doutor Silva Lobo mandou-me que o chamasse para falarem aqui na câmara.

- Não vou, não me apetece, ir qualquer assunto tratamos logo…

- E então o que é que digo ao senhor seu pai?

- Isso que eu lhe disse agora mesmo, bom tenho muito gosto em a ouvir mas tenho que desligar, passar bem.

- Pedro escusas de responder assim à Mafalda – repreende Tomás.

- Porquê? – Pergunta Pedro – Eu sei que ela não tem culpa mas o meu pai tem – acrescenta Pedro.

Tomás há muito que queria chamar Pedro à razão só que não sabia como

- Pedro, não achas que estás a beber demais?

- Como, Tommy?

- Eu aconselho-te a parar de beber pois já não é a primeira vez que tu te embriagas.

- Ai, oh Tommy, tu és tão chato! – diz Pedro fechando a torneira, – Com licença – Passa por Tomás entrando no seu quarto e na sua cama.

- Está um dia bonito – diz Tomás, abrindo as cortinas do quarto de Pedro e deixando o sol entrar – não vais estar na cama e ver o dia a passar, pois não? Vá, levanta-te, vamos à praia, vamos jogar Voleibol, vamos ver as miúdas em biquini. – Tomás tenta convencer Pedro, só que em vão, pois o sono deste é enorme.

- Tenho dores de cabeça.

- Isso é lá desculpa para te deitares, vá, levanta-te, tomas um banho, comes que isso passa – diz Tomás, que tenta convencer Pedro a não ficar todo o dia na cama.

Pedro estava cada vez mais cansado, a sua cama parecia que gritava aos seus ouvidos para que ele se deitasse. Pedro não resiste.

- Tomás, o que é que eu fiz ontem? – Pergunta Pedro ainda sentado encostado ao catre e coberto com a roupa de cama até à cintura.

- Tu? Ontem bom, eu telefonei-te e convidei-te para sairmos, quando cheguei tu já estavas bem atestado… – é interrompido.

Tomás volta as costas para Pedro.

- Sim e depois? – Pergunta Pedro ansioso.

- Depois fomos ao Barhaus. Era a noite do DJ Lewis.

- Espera, o Lewis não é família daquela… daquela actriz muito boazona.

- Sim como é o nome dela?

- É qualquer coisa Alvarenga.

- Joana?

- Sim, é a Joana Alvarenga, exacto. Mas continua.

- Onde é que ia? – Pergunta Tomás.

- No DJ Lewis… – recorda-o Pedro

- Então logo que lá chegamos, tu deixaste-me, sentaste-te ao balcão e começaste a beber ainda mais, conheceste uma mulher que meteu conversa contigo e tu só te sabias rir e disseste-lhe que não estavas bêbedo e que ainda sabias fazer o sessenta e nove – Pedro cora um pouquinho, baixando a cara e deixando-se escorrer até se deitar na cama. – Ela começou-te a beijar. – Informa-o Tomás, caminhando em direcção há janela e sendo atraído pela claridade.

Pedro estava muito entusiasmado mas encontrava-se deitado e aproveitando o facto de Tomás estar mais próximo da janela e por isso não o ver.

- E depois?

- Depois, como eu estava muito cansado, fui chamar-te. Tu ainda resististe, mas acabei por te convencer e quando tu por fim te levantaste, caíste – Pedro sente-se cansado, tanto que não sabe como ele próprio ouve o Tomás ao longe e a voz do amigo não é clara. Pedro adormece deixando Tomás a falar sozinho – Eu ajudei-te a levantar e tu abraçaste-te a mim, e viemos para fora quando chegamos cá fora tu tornaste a cair e como és mais alto do que eu, deixei-te vir de gatas para casa. Passamos pela rua e tu vieste sempre a par de mim, só que de gatas, até que chegamos a casa viemos logo para o quarto. Subiste as escadas a quatro, Pedro, e eu ajudei-te a despir e a deitar-te na cama, tapei-te com roupa … – Tomás vira-se para a cama, e vê que Pedro adormecera em quanto o ouvia a falar. Aproxima-se da cama de Pedro e resolve tentar acordá-lo.
- Pedro, Pedro – chama-o sem sucesso. Pedro vira-se de costas para Tomás – desisto. – Diz, furioso com a atitude de Pedro. E dirige-se para a sala.
Pedro suspirava num sono profundo, tornou-se a voltar de encontro há luz da janela mas não acordou. De repente, Pedro estava num local cheio de areia e, com a sua guitarra ao lado, começa a tocar.



- Isto é que é vida.



Havia sol, e estava muito calor, o mais estranho é que não havia ninguém naquele espaço mas estava a ser bem tratado. Até que chega uma rapariga alta e bonita e começa a dançar ao som da sua música. A cada movimento que fazia com o corpo seduzia-o, por fim ele levantasse da areia que estava sentado e vai dançar com a rapariga mas, por mais estranho que parecesse, cada vez que lhe toca esta acaba por se escapar, e cada vez que a tenta beijar acaba por lhe fugir, até que por fim a rapariga lhe diz ao ouvido:



- Anda atrás de mim, tenta apanhar-me…



E corre, escondendo-se atrás desta rocha ou atrás daquela. Pedro acaba por a conseguir agarrar e beija-a intensamente. As suas bocas unem-se e as suas línguas tocam-se.
Pedro acorda com um sorriso de orelha a orelha mas olha em volta e vê que está no seu quarto não vê a rapariga. Pensa que o sonho se deve ao mau estar e aos factos evidenciados no dia anterior.




Lisa abre a porta do seu quarto e entra, uma terrível sonolência apoderando-se dela. Lisa é incapaz de resistir e sente-se tonta, vê a imagens turvas e o quarto a andar à sua volta em imagens duplas, o que a obriga a palpar os objectos antes de se sentar ou até de andar. Lisa senta-se na sua cama e sente o corpo a desfalecer, as articulações ficam sem força e ela acaba por adormecer.



Vê-se a ela própria à beira de um muro, ao longe ouve o som das gaivotas, o som do mar e o som de uma guitarra, Lisa resolve ir até ao mar, mas o mais estranho é que tem medo a grandes quantidades de águas, mas algo no seu íntimo a conduz até lá e Lisa deixa-se levar pelos sentimentos e caminha por cima da areia escaldante de uma praia deserta, até que encontra o que anda à procura, um rapaz que até é bonito, alto e de olhos azuis que pareciam de cristal, duas pedras preciosas que davam de beber aos dela. A princípio é estranho mas Lisa acaba por dançar ao som da sua música até que o rapaz se levanta e vem dançar para o pé dela. Esta foge, começando a correr e, em seguida, o rapaz apanha-a. Os dois cantam e por fim beijam-se, a sua língua tocou na dele e acariciavam-se dentro da boca alheia.



Lisa acorda e não vê o rapaz olha em volta e reconhece o seu quarto e pensa que o sonho tem a ver com a terrível discussão entre os pais na noite anterior.




Capítulo 3- A Entrega
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MensagemAssunto: Re: A Força d'um Amor (+18)   Sab 15 Dez - 22:19

Capitulo 3 – O desejo
O sol sobe no horizonte e a sua luz amarela e muito quente entra em forma de raio numa varanda. A persiana mal fechada transparece as suas marcas no chão de um quarto, a luz embatendo contra uma estante de madeira de cerejeira de cor castanha clara. As luzernas de sol aquecem a planta verde ao canto do quarto, posta num vaso branco, e resplendem-se no espelho que logo conduz a luz para a cama defronte a este. Deitado na cama está um corpo que se move ainda devagar devido ao sonho que tivera naquela manha de verão. De repente, senta-se na cama, puxa as pernas, e mete a cabeça em cima dos joelhos:
- Bolas, porquê que o raio do sono me afectou tanto? Lisa foi só um sonho, okay… – Ela queria que tudo se resumisse à sua vontade – eu não posso… não quero perder o controlo desta maneira, quero ter calma… – e reprime-se – Porque estou eu a pensar nisto? Nem tenho namorado… – Lisa zanga-se consigo mesmo, em seguida bate com força na cama. Era, contudo, estranha aquela reacção. Lisa levanta-se da cama e olha para o espelho, entrando em hipnose. Em seguida dirige-se para o quarto de banho, abre a torneira e deixa a água correr.
Despe-se e entra na banheira. Os seus movimentos eram monótonos e vagarosos, molemente mitigados. Lisa abre o champô e põe na mão, esfrega a mão na cabeça e deixa a água a correr por cima dela. Instantaneamente, passa o gel de banho de aroma a mel e leite no corpo, mais cinco minutos debaixo de água e sai da banheira, rodando a torneira para fechar a água. Lisa lava os dentes e abandona a casa de banho enrolada numa toalha vermelha. Entra no seu quarto e algo a prende. Olha para o espelho posicionado em cima da cómoda e de lá reproduz a imagem de uma bola que roda e transmite uma luz violeta. A rapariga ouve um som parecido com as ondas do mar e deixa cair a toalha, quando ouve uma voz grossa e não muito clara que lhe diz Vem, estou a tua espera. De repente a imagem desaparece e já não se ouve o som do mar. Lisa volta ao seu estado normal. O seu olhar desprende-se do espelho mas uma súbita vontade permanece, uma ideia de ir à praia. Está um óptimo dia, o Céu azul, mas não é um azul daqueles muito carregados, não! É um azul ciano, não existem nuvens que possam ameaçar alguma corrida de aguaceiros.
Lisa abre o guarda-fatos e vê o seu biquini laranja dobrado no fundo do abrigo, retira-o e veste as cuecas, depois o seu sutiã. Aperta-o pega, no seu páreo vermelho com a parte superior dourada, enrola-o e aperta-o. Mete a ponta para dentro e, após essa tarefa, põe a outra ponta ao pescoço e com a outra parte dá um nó atrás do colo. Depois aperta-o à cintura dá um nó na parte lateral, lança mão de um saco de praia castanho feito de verdinha e abre o fecho, metendo no interior um frasco de protector solar, uma garrafa de água e uma toalha vermelha. Calça as suas havaianas, põe os óculos de sol à cabeça e, em seguida, arruma a cama e abre a janela para o quarto ficar a arejar. E sai, descendo as escadas. Já na sala, pega no seu telemóvel e nas chaves e sai de casa.

*

Tomás sai do quarto de Pedro, em seguida desce as escadas e quando chega à sala…
- Olá Tia – Tomás cumprimenta Dora.

- Olá Tomás – retribui, dando-lhe um beijinho na face – não sabia que tinhas cá passado esta noite.

- É verdade, o Pedro ontem, bom…
- Tu nem me digas que ele bebeu? – Pergunta Dora
- Quer dizer, também não foi uma coisa assim por aí além, nós fomos sair, e ele bebeu umas cervejas – coça a cabeça
- Cervejas? E mais? – Dora conhece bem Pedro e sabe que ele não se iria ficar só por umas cervejas.
- Martini… – Tomás vomita a palavra
- Só?
- Sim só – Tomás põe-se de costas para Dora. Nunca soube mentir bem e, para não encarar a verdade, voltava as costas, assim não descaía, tão facilmente – Tomás eu conheço-te, sei que és um bom menino – encara Tomás nos olhos.
- Whisky e Vodka – diz ao fim de algum tempo.
- Ah! Está melhor… mas o estado de Pedro é preocupante, ele assim onde é que acaba? Vai morrer em breve…
- Não, não tia. Ele só bebeu ontem…
- Ontem e na passagem de ano – acrescenta a Dora, com pena do caminho que levava o filho – posso pedir-te uma coisa?

Beijinhos.
Anna
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MensagemAssunto: Re: A Força d'um Amor (+18)   Dom 16 Dez - 3:00

Já te tinha dito e reafirmo que os capítulos mais pequenos assim são muito mais fáceis de ler! E ficamos curiosos com o que se irá passar e com o que Dora tem a pedir a Tomás, apesar de eu saber... Very Happy
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MensagemAssunto: Re: A Força d'um Amor (+18)   Seg 17 Dez - 20:25

Lol! Fox*
Por mim pode ser, o Walk é que já tenho as minhas dúvidas. O meu ken, acho que ainda não percebeu. Enfim, quando ele perceber vou lançar foguetes de alegria e vivas ao céu.
Beijinhos,
Anne Margareth.
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MensagemAssunto: Re: A Força d'um Amor (+18)   Ter 18 Dez - 2:58

Ah é? Andas-me a chamar ken em público, Barbie? Bem estou tão desejoso para ver a reacção de todos quando publicarmos aquilo que temos em mente. Beijinhos:)
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MensagemAssunto: Re: A Força d'um Amor (+18)   Ter 1 Jan - 20:47

Capitulo 4 – “A espera pode ser impaciente” [Parte 1]

- Ontem e na passagem de ano – acrescenta a Dora, com pena do caminho que levava o filho – posso pedir-te uma coisa?



*
No andar de cima da casa, Pedro já não está enjoado, apenas tinha um desejo de se levantar, tomar banho e de ir há praia. Neste intuito, dirige-se ao quarto de banho, despe-se e abre a água. Não se lembra de nada do sonho daquela manhã e a água escorre-lhe pela cara abaixo. Pedro sai do duche, enrola uma toalha amarela à cintura e, em seguida, lava o próprio duche. Desliga a água, limpa-se e veste o roupão amarelo de banho. Entra no seu quarto e contorna a cama, dirigindo-se ao guarda-fatos. Retirando umas cuecas, umas calças de ganga azul, um cinto preto com as fivelas em metal e os buracos também em metal e uma camisa bege clara, quase branca, Pedro veste-se e calça uns ténis. Depois alcança uns óculos de sol, o seu relógio e a sua guitarra e desce as escadas apressado, quase a correr.



Tomás está sentado no sofá branco da sala, Pedro fala-lhe ao ouvido por detrás.

- Olá Tommy – diz, a sorrir.

- Ai – mão ao peito – tu queres-me matar do coração! – Pedro ria muito das partidas que fazia a Tomás – Espera, tu não estavas cansado e coisa e tal?

- Dizes bem… Estava, mas tive um sonho com…

- Muito vago, sonhaste com… o quê exactamente, Pedro?

- Acho que tive um sonho erótico… – Pedro poisa a guitarra pensante, encostando-a às costas do sofá.

- Com uma babby?

- Não com uma galinha, queres ver? – Pedro goza Tomás mais uma vez, estava a ficar perito nisso – é claro que foi com uma miúda, e até era bonita por acaso.
- Espera, deixa ver se eu entendi, – pausa, tenta arranjar a melhor forma de provocar Pedro – tu tiveste um sonho erótico com uma babby… – acrescenta Tomás – e apaixonaste-te por ela? Olha, oh Pedro, cura-te – conclui com tom provocador.




Pedro apercebe-se e bate-lhe na cabeça. Entra na cozinha, e dirige-se ao frigorífico.

- Menino Pedro! Diga o que quer que eu lhe preparo – declara a empregada que fazia o almoço.



A cozinha tinha os azulejos brancos, com uma moldura na qual aparecem motivos propícios ao espaço. Tinha uma bancada em granito cor-de-rosa suave do cumprimento da parede, que levava à porta que dava acesso ao jardim. Esta divisão estava decorada com os móveis castanhos com os electrodomésticos dentro. O primeiro era um frigorífico, a seguir estava a banca com o microondas colocado em cima e o lava-loiça que levava ao fogão de seis bicos. Por cima, existia um armário no qual se arrumavam os pratos e copos. Pedro abre uma das portas do frigorífico cinzento e retira um jarro de sumo.

- Deixe-se estar, Rosa, eu mesmo sirvo-me. – Afirma o jovem sorridente.



Rosa era a cozinheira da casa Silva Lobo, tinha perto de cinquenta anos, trajava um avental branco e um uniforme azul-escuro só com os botões da parte detrás junto ao pescoço e a gola em folhos de uma malha preta. Pedro costumava fazer tudo sozinho sem ser preciso empregados.

- Ah menino…

- Diga Rosa. – Declara Pedro sorridente.

- A senhora sua mãe há bocado andava à sua procura – informa Rosa.

- Okay. Não deve ser nada de importante.

- Olhe que a Doutora Dora esteve a falar com o menino Tomás na sala.

- Obrigado Rosa. – Agradece Pedro com uma simpatia anormal.




Rosa vai buscar as cebolas dentro da arrecadação que se localizava no jardim nas traseiras da moraria dos Silva Lobo, deixando Pedro sozinho na cozinha. Este abre o armário por cima da banca de cozinha e tira um copo, sentando-se à mesa. Rosa regressa do quintal trazendo uma cebola na mão, dirige-se à banca e pega numa faca começando logo a cortar a cebola. Pedro olha-a enquanto deita o sumo no copo, e pensa coitado do Tommy isto é de mais para ele, ele ainda é novo de mais para estas coisas…


- Rosa, a Aurora está boa? – Pergunta Pedro.

- Sim, está sim senhor. – Declara Rosa.

- Ela ainda não ouve, pois não?

- Não, menino. Ela não ouve nada. Mete confusão que, ainda o outro dia, eu e o meu homem para a chamar para comer tivemos que gritar para aí umas trinta vezes. – Explica Rosa.

- Em que ano ela anda? – Inquire Pedro.

- Passou agora para o nono ano.

- Vai ver que tudo se resolve. Ela vai ouvir.

- Deus o oiça.



Aurora é filha de Rosa e Arménio, tem quinze anos. Anda na escola de Lisa Scott. É surda, a única coisa que ouve é a melodia das notas musicais.

Pedro prime a torneira, a água corre trémula, e lava o copo, limpa-o e devolve o seu lugar no armário. Sai da cozinha, atravessa a sala, pega na viola e põe-na às costas. Em seguida alcança o móvel à saída de casa, encostado há parede branca, e escolhe de dentro de um prato, no qual estão milhares de outros objectos, aquele que quer e mete ao bolso. Sai de casa, dirige-se para a garagem e tira a bicicleta para fora, monta nela e pedala o mais que poder rua a baixo. Pedala para longe, bem longe dali e Tomás, que saiu de casa atrás de Pedro, seguia-o na sua bicicleta à distância. Mas Pedro tinha presa em chegar ao seu destino e pedalava o mais que podia para longe, bem longe dali. Só queria estar com o mar, ele e o mar tinham uma estranha relação, quase considera o mar como seu pai. O jovem chega por fim há praia, põe a bicicleta trancada com uma corrente presa à renda da parede do muro e caminha em direcção à praia. O sabor do ar salgado, a brisa que provém do mar, todos estes factores eram, para ele, mágicos. Pedro vai ter com o mar e, quando chega, senta-se na areia. As ondas vêem-no cumprimentar, banhando-o. Pedro não se entendia, não entendia o porquê daquela aproximação ao mar. Uma espécie de água salgada escorre-lhe pela face e o jovem limpa o fio de água que corre pelas suas faces, os olhos azuis aparecem mais brilhantes. Tomás, por sua vez, alcança-o, põe-lhe a mão em cima do ombro.

- Tomás, como é que vieste cá ter? – Pergunta-lhe Pedro.

- Seguindo-te. – Declara o seu melhor amigo com um sorriso, sentando-se de seguida ao pé dele.

- Quero ficar sozinho, é tão difícil para ti compreenderes isso?

- Desculpa, Pedro – Pedro levanta-se – mas estás bem? – Pergunta Tomás, preocupado.

- Estou, acho que estou – Tomás ia-se a levantar para seguir Pedro, este porém põe-lhe um braço em frente – desculpa mas não quero estar só, preciso deste tempo para mim, entendes? – Balbuciou isto a custo.

- ok! Já vi que estás com a neura… – responde Tomás. – Mas que bicho te mordeu.
- Não foi nada… não se passa nada, eu é que estou cansado – Grita Pedro. – Apetece-me estar sozinho. Não posso?


Tomás não o entendia, não valeria a pena, ele conhece bem aquele Pedro, até bem de mais. Viu nos olhos de Pedro, que estavam baços e prontos a despejar a água que a todo o custo tentava conter. Tomás saberia de antemão a máxima de Pedro “um homem não chora!” e de facto, o Silva Lobo tinha dificuldades em mostrar os seus sentimentos.

Pedro afastou-se, subiu umas dunas com a guitarra na mão e foi para longe, para um lugar onde pudesse estar só, sozinho com aquele que considera que nunca o traem, porque as traições pertenciam aos seres humanos.

Pedro queria pensar, precisava de reflectir, necessitava de alguém que o fizesse totalmente feliz, afinal todos nós precisamos de uma companhia e Pedro carecia de encontrar um bom amigo em que pudesse confiar.

Despe-se e atira-se para aquele que, por agora, lhe parece ser o amigo mais fiel que alguma vez teve. Pedro nada sente a não ser a água salgada no seu corpo, e apraz-lhe sentir isso. No mar, chora, e as suas lágrimas misturam-se com a água que se agita de repente. A dor no peito de começa por desaparecer e algo no seu interior se modifica e Pedro acaba por se sentir feliz no momento em que, das profundezas daquele oceano, se solta uma voz.

Petrus salvans te, suus tempus? Extulit caput omne opus tu ... Sperabam vos multus.” – Profere o mar.

Salva-te Pedro, chegou a tua hora! Ergue a cabeça, e terás tudo o que precisas... Esperava-te há imenso.

Pedro regressa à praia, vestindo-se. Senta-se na areia e olha o mar confuso. Pensa no que se passou e como o mar acalmou a sua dor. Cada vez mais agitado, o mar forma ondas gigantes que se desfazem nas rochas.

Aparece uma figura metade homem e metade animal fora de agua, que é invisivel a Pedro, mas a sua presença causa-lhe dores de cabeça. A sua voz, mais fina do que qualquer um ser humano e impossivel de ouvir, ordena ao mar:

“Clausa! Suus non tamen tempore.”

Cala-te! Ainda não chegou a hora.

Quem é esta criatura?
Bom ano e boas leituras...
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MensagemAssunto: Re: A Força d'um Amor (+18)   Qua 23 Jan - 18:55

Capítulo 5 – O Primeiro Encontro
E pensa. Era tão bom que tu já tivesses o teu coração aberto, que não sofresses tanto com coisas fúteis nem com a minha presença que me pudesses ver. Mas serei paciente, saberei esperar. Até breve, meu bom Pedro. A enorme figura arrasta-se para um portal que se abre. Volta-se para trás e olha de novo para Pedro e diz, estarei sempre contigo. Sempre que precisares, ainda nos vamos conhecer e vai chegar a hora e o dia em que só confias em mim, que me pedes e me procuras com a tua dor, cravada no teu peito. O portal abre-se e a criatura desaparece.
Ao fim de algum tempo a dor de cabeça passa e os olhos de Pedro param de brilhar. O mar acalma-se e tudo volta ao seu lugar. Pedro pega na sua guitarra e começa a tocar uma linda melodia. A brisa leva as notas de para longe e o mar dança o seu ritmo. Pedro começa a cantar a sua música.

*

Lisa desce a rua dos Amores, não tem mais nada a fazer e atravessa a rua para o passeio da praia e entra nela descalça, as suas havaianas anda sob a areia, e ouve um som, alguém que canta. Movida pela curiosidade, Lisa segue a sintonia das notas musicais e avista ao longe, muito perto do mar, um vulto que parece que está a sofrer. Ainda tem medo mas algo, uma força interior, empurra-a para aquele estranho, uma voz que a chama. Lisa, como que hipnotizada, caminha descalça pela areia de uma praia deserta, uma imagem aclara o seu horizonte, um corpo de rapaz. Chega ao pé do rapaz, que está de costas, e poisa a mão no seu ombro.
- Eu já te disse para tu me deixares sozinho, Tomás! – Ordena Pedro.
- Não é o Tomás. – Declara Lisa.
Pedro volta-se e vê uma rapariga muito bonita. Nunca tinha visto uma menina tão bonita, com uma boca tão, tão, tão carnuda que lhe apetecia trincar. O jovem ficou encantado com a sua beleza e com o seu ar de mulher fatal, embora ainda fosse uma menina.
- Está tudo bem? – Pergunta Lisa.
- Sim está… só estou a pensar em acabar com tudo que me rodeia… – desabafa Pedro.
- Não faças nada que te arrependas… Luta, luta com todas as forças e verás que consegues…luta e consegues ser tudo aquilo que quiseres… seja qual for o motivo tudo se vai compor… irás ver que logo, logo todos os teus problemas têm uma solução.
- Quem és e como vieste aqui parar?
- Sou a Lisa e estamos numa praia … vim aqui porque queria pensar e não queria ficar em casa presa de comando na mão, todo o dia. E tu, quem és?
- Pedro Silva Lobo, prazer – faz uma ligeira vénia – o teu nome é tão lindo, como tu. – Lisa sorri para ele – o teu sorriso é muito bonito também. Costumas ser sempre assim?
- Assim como?
- Assim tão… tão… sei lá, faladora…
- Eu faladora? Eu? Ainda não falei nada… tu é que não paraste de falar…
- Não – diz Pedro irónico – aliás, tu ainda não falaste nada de nada, coitadinha – troça-a.
- O que estavas a cantar? – Indaga Lisa.
- Uma música minha… – Fala Pedro, gabando-se.
- Pois, tretas…
- A sério! – Tenta convence-la.
- Prova. – Desafia-o Lisa.
Pedro sorriu e pegou na guitarra, começando a tocar e a cantar.

Hoje eu vi
Algo de novo em ti,
E nos teus olhos vi
Que há algo de novo em mim

Não há tristezas,

Nem solidão,


Sim eu quero,

Sim eu espero,


E há noite peço aos céus

Que apareças cá


E te possa chamar meu amor.

Que felicidade é poder-te ter

Nos meus braços meu Amor.


Lisa acompanha o solo de Pedro com a sua voz e a música fica perfeita. Lisa levanta-se, e Pedro pega-lhe na mão a tensão existente entre ambos dá um choque.

- Fica aqui comigo… – pede Pedro ao levantar-se

- Não te quero chatear. – Justifica Lisa

- Não chateias.

Pedro toca na cara de Lisa afasta-lhe os cabelos e sem saber como nem porquê ela sorri, ele aproxima-se dela e beija-a. Mas há uma coisa que não corre bem, uma coisa incha nas calças de Pedro, que o faz ficar branco, e pesa sobre as pernas de Lisa. Esta assusta-se e dá-lhe um pontapé, em cheio no meio das pernas. Pedro cai na areia de joelhos, cheio de dores.
- Cabra, ai! – Choraminga, cobrado.

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MensagemAssunto: Re: A Força d'um Amor (+18)   Ter 12 Fev - 21:00

Capitulo 6 – O primeiro beijo


 


Pedro toca na cara de Lisa afasta-lhe os cabelos e sem saber como nem porquê ela sorri, ele aproxima-se dela e beija-a. Mas há uma coisa que não corre bem, uma coisa incha nas calças de Pedro, que o faz ficar branco, e pesa sobre as pernas de Lisa. Esta assusta-se e dá-lhe um pontapé, em cheio no meio das pernas. Pedro cai na areia de joelhos, cheio de dores.


- Cabra, ai! – Choraminga, cobrado.


*



Lisa, extremamente assustada, foge do alcance de Pedro. Sobe umas dunas, e senta-se, voltada para o mar, numa pedra que ali encontra. Vê ao longe o vulto de Tomás, recorda-se do sonho que teve com o rapaz, e sorri, será mesmo possível? Pensa, e não sente medo, mas sim um calor estranho que se apodera dela. Umas borboletas no estômago. Lisa decide dar continuação ao sonho e volta para ao pé de Pedro.



Tomás continua a olhar para o mar, sentado na areia, e pensa no que há-de fazer em relação a Pedro. Este parece-lhe doente pela rapariga com que sonhou e normalmente os sonhos nunca acontecem, nunca são reais, mas Pedro insiste que aquele sonho é real.



Lisa pensa no beijo que deu à pouco a Pedro, só pensa nisso, no toque suave dos seus lábios que logo encontraram os dele. Este já se sente melhor, mas ainda se queixa com dores:



- Então estás melhor, não queres que te chame o INEM?



- Ahah, que piadinha que ela tem!



Lisa começou a treinar passos de dança e Pedro levanta-se, ainda que curvado, e vai ter com ela. Ele não sabia porquê mas sentia que tinha que ir para lá. Põe-se por trás de Lisa, agarrando-a pela cintura e puxando-a para si e beijando-lhe o pescoço. Lisa tomba a cabeça para cima do ombro dele e fica sem reacção. Pedro controla-a, ela vira-se para ele, ele mexe-lhe no cabelo encosta a sua cara à dela e diz-lhe baixinho:
- Não sei porquê mas acho que já vivi isto em antes…


- Não sejas convencido, pára de falar e beija.


Pedro beija-a de maneira diferente agora, a sua língua toca nos lábios de Lisa, esta abre a boca e Pedro insere a sua língua dentro da boca dela e sente os seus seios a endurecer. Pedro desaperta-lhe o nó de cima do páreo e este cai. Ele pega então na mão de Lisa e anda para uma zona ainda mais deserta da praia, os seus olhos brilhando de um azul celestial que encantam os de Lisa, que acaba por fazer tudo o que Pedro quer. Este desaperta-lhe o outro nó do páreo de Lisa, caindo para o chão. Pedro toca no corpo da rapariga, ambos ajoelham-se e Lisa desabotoa a camisa dele e deita-se sobre ele. Pedro acaricia-lhe as pernas, ela cada vez mais perdia a noção da realidade enquanto desaperta os botões da camisa bege do rapaz e massaja o seu corpo. Ele tira-lhe a parte de cima do biquini laranja e deita-a na areia, acariciando-lhe os plúmbeos peitos. Esta soltava pequenos gritos enquanto desapertava o cinto das calças. E com a ajuda de Pedro que empurra as calças para baixo, seguidamente dos boxeres. 


Lisa abre as penas e Pedro encaixa o seu pénis nas paredes vaginais de Lisa causando uma sensação de prazer em ambos. Um líquido escarlate e espesso sai de Lisa correndo por entre as suas pernas. O pénis de Pedro rebenta a sua glande e aumenta o tamanho ainda mais. As respirações ofegantes batem na cara um do outro. As pernas de Lisa circundam o corpo de Pedro, encaixando-o no seu interior.


 


Param, Pedro deita-se e abraça Lisa beijando-a numa felicidade que ele transporta.


- Lisa, nunca me deixes, por favor. – Pede-lhe         


- Não, eu prometo que não – declara Lisa.


 


E recomeçam-se a beijar. Desta vez, Lisa sobe para cima de Pedro, apesar da sua (=Lisa) dor aguda e do sangue perdido por ela. Pedro introduz-lhe o pénis erecto na vagina, fazendo com que ela grite de prazer e sue muito. Um líquido branco e muito gelado entra no corpo de Lisa, fazendo com que ela delirasse. Pedro apalpa os seios de Lisa e ouvem-se os seus testículos a baterem à entrada da vagina dela. Esta deita-se sobre o corpo de Pedro, e reiniciam o “vai e vem”.


*


 


Ao pé do cemitério, por entre as campas, andam dois padres de batinas pretas. Um era mais velho e pançudo e já mal andava, e outro era mais novo e mais alto. Ambos conversam entre si.


- Senhor Padre Manuel! – Aclama o Padre Filipe. – A que horas o Padre Bernardo deve de estar aqui?


- Ora, isso é muito complicado. – Declara olhando para o relógio. – Salvo erro daqui a dez minutos. – Informa o padre Manuel, já cansado.


- Vamos-lhe fazer uma surpresa – propõe o Senhor Padre Manuel – e se o fôssemos esperar à paragem?


Os dois padres andam até à paragem. Um autocarro vem na estrada, dentro dele viaja varias pessoas, um rapaz bem aparecido vem a ler a bíblia. E pára na paragem. O rapaz sai do autocarro, trajava uma camisa amarela e umas calças brancas com uns sapatos castanhos.


O rapaz pega na sua mala e sai na sua vez, colocando os óculos de sol na cara. Os dois padres aproximam-se do autocarro e esperam o padre, mas não vêem nenhum. O rapaz aproxima-se deles.


- Boa Tarde, estão bons? – Pergunta o rapaz.


- Sim estamos, sim – Respondem os Padres – se não se importa nós esperamos um amigo nosso. – Declaram os padres, tentando fazer com que aquele rapaz se vá embora.


- A sério. E como se chama o vosso amigo?


- Bernardo Salcene, quer dizer Padre Bernardo Salcene. – O rapaz cruza os braços e sorri.


- Eu não me importo que me chamem Bernardo. – Declara ele.


Os padres recuam e cumprimentam-no.


- Senhor Padre Bernardo como é que vai? – Indaga Filipe. – Peço desde já desculpa, por o não ter reconhecido. – Pede o mesmo com vergonha.


- Não tem importância! – Sorri o Padre Bernardo. – Eu não me apresentei. – Conclui o mesmo. – Disseram-me que por aqui estavam muito necessitados de mais um padre.


- Sim é verdade! Mas vamos andar… – Fala o padre Filipe. – É só essa mala que traz? – Pergunta com desdém.


 - É sim… – Responde o padre Bernardo.


- Esta paróquia é um pouco diferente. – Explica o Padre Manuel.


- Diferente? Em quê? Porquê?


- Sabe, Padre Bernardo… Esta paróquia é composta por muitas pessoas, todas elas trabalham e agora, nas férias escolares, deixam os seus filhos em casa. – Comenta o Padre Filipe.


- Percebo, perfeitamente. E o grupo de Jovens da paróquia?


- Grupo de Jovens da paróquia?! – Pergunta o Padre Manuel.


- Sim, Grupo de Jovens que cantam na missa, podem ajudar nos tempos livres – Pausa – Ahm, quantos paroquianos tem a missa?


- Poucos, muito poucos. – Lamenta o Padre Manuel. – Quer dizer quando há a catequeses são mais, mas depois decresce.


- Poucos, quantos? Há missa, certo?


- Sete, sete paroquianos. Sim há.


- Estou a ver, que precisais muito de mim.


 


*


Carla desce com Ana Maria e ambas se dirigem para o centro comercial. Tó segue ao longe as duas amigas. As duas entram no enorme edifício, Carla vê as montras de roupa.


- É tudo tão caro. – Diz Carla. – Se eu tivesse dinheiro.


 E dirigem-se para a loja de flores. A florista já está aberta.


- Bom, tenho que ir. – Informa Carla.


- Será que a tua mãe nos, deixa sair logo? – Pergunta Ana Maria triste.


- Logo… logo, não sei. – Declara Carla. – Depende.


- Eu falo com ela, queres?


- Combinado.


 


 


 


 


Quem será Bernardo Salcene? Será que Lisa perdeu a cabeça de vez?

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